Minhas impressões sobre a 2ª temporada da série “Coisa Mais Linda” da Netflix

Nesse fim de semana (19), estreiou a segunda temporada da série brasileira da Netflix, “Coisa Mais Linda”. Mas antes vou explicar um pouco da primeira para quem não viu, vou avisando que terá spoiler!

A primeira temporada foi lançada no primeiro trimestre de 2019. Criada por Giuliano Cedroni e Heather Roth, com colaboração de texto de Léo Moreira, Luna Grimberg e Patricia Corso, com produção de Beto Gauss e Francesco Civita, direção de Caíto Ortiz, Hugo Prata e Julia Rezende. A abertura e nome de um verso da canção Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Morais.

A série se passa no final dos anos 50, em 1959, uma das protagonistas é Malu (Maria Casadevall), ela sai de São Paulo e se muda para o Rio de Janeiro onde descobre que foi roubada e abandonada pelo esposo. Ela fica transtornada, quase botando fogo em um apartamento. É quando ela conhece Adélia (Pathy Dejesus), uma moça negra e moradora da favela, que inicialmente trabalhava na casa de uma senhora (insuportável). Ela sustentava a irmã Ivone (Larissa Nunes) e a filha Conceição (Sarah Vitória). A amizade de Malu e Adélia passa por muitas provas, principalmente diferenças sociais, privilégios e raciais.

Malu conhece Chico (Leandro Lima), um cantor de bossa nova, que era algo recente na época. Ela se apaixona por ele e, depois com a ajuda de Adélia, as duas resolvem abrir um clube de música. Mas vários problemas aparecem, principalmente porque na época rolava mais um poder para os homens… até falsificar assinatura do esposo de Malu, se envolver com vendas de bebidas ilegais acontecem.

Malu reencontra uma antiga amiga Lígia (Fernanda Vasconcello) e também Thereza (Mel Lisboa), ambas casadas com os irmãos Augusto – insuportável – (Gustavo Vaz) e Nelson (Alexandre Cioletti). Lígia sonha em ser cantora, mas o idiota do marido, que é um horror, aspirante a político, machista e conservador, tenta de todas as formas impedir os sonhos da esposa. No começo, ela tenta viver aquela vida de dona de casa, não que isso seja algo ruim, entretanto não é algo que ela gosta e o idiota, quer dizer o esposo, idiota, imbecil sim – não posso escrever palavrão – chega a ser agressivo de todas as formas e a estuprá-la. Sério, as cenas me deixaram, e acredito que a qualquer um, transtornada e cheia de ódio.

Thereza é uma jornalista que luta pelos direitos das mulheres, tanto na vida pessoal, mas principalmente no mercado de trabalho, onde trabalha em uma revista direcionada para mulheres. Ela recebe bastante apoio do esposo. A relação dos dois é bem liberal, envolvendo outras pessoas e tudo. Entretanto, ao longo da primeira temporada, descobre-se que Conceição, filha de Adélia, que no início parecia ser do seu noivo, o músico Capitão (Ícaro Silva), na verdade é de Nelson, esposo de Thereza. Adélia trabalhava na casa dele quando mais jovem, ele não fazia ideia que tinha uma filha.

No último episódio, as quatro já amigas e superando alguns eventos que ocorreram ao longo dos 7 episódios, é ano novo, 1960, estavam na praia, quando o insuportável do esposo da Lígia surge com uma arma – essa altura Lígia já começava a caminhar para seu sonho de cantar – então ele pega todas de surpresa dando dois tiros, um acerta Lígia no coração e outro em Malu no estômago – ele a culpa pelas mudanças da esposa. Assim termina a primeira temporada!

Depois de um ano – Netflix por que faz isso? – é lançada a segunda temporada, que finalizei em uma tarde, enquanto fazia meus bonequinhos de amigurumi. Dessa vez com 6 episódios… (as reticências é minha insatisfação com a quantidade de episódios).

Coisa Mais Linda – Segunda Temporada

Dessa vez outra personagem vira protagonista, agora temos duas protagonistas negras!

No primeiro episódio mostra a recuperação de Malu, que fica triste por não ter mais notícias de Chico, que começou a fazer sucesso fora do país. E adivinha quem surgiu enquanto ela estava em coma? O esposo que tinha sumido. O homem parece que surgiu do além, um bom ator, porque nas primeiras cenas dele já queria que seu personagem sumisse. Chega dando ordem, machista, trata Adélia como empregada quando ela é sócia do clube, enfim, o homem é só ladeira abaixo.

Acompanhamos Nelson se aproximando de Conceição, criando um vínculo com a criança, enquanto ele e Thereza começam a ter uma crise no casamento. Inicialmente ela estava focada em escrever seu livro, mas surge a oportunidade de trabalhar em uma estação de rádio, que chateia o esposo. Na rádio, ela enfrenta dificuldades de lidar com seu companheiro de trabalho, Wagner (Alejandro Claveaux), que gosta de trabalhar sozinho e, no início, tem várias atitudes machistas. Aliás, qual personagem masculino nessa série não vai te fazer passar raiva?

Malu, nessa confusão com o esposo, ex, enfim, se envolve com Roberto (Gustavo Machado), que tem uma gravadora e ajudou ela com o investimento no bar. E Chico volta e deixa ela mais confusa.

Nisso tem o casamento de Adélia e Capitão, que foi bem bonita a cerimônia. Ela convida seu pai, Duque (Val Perré), que acaba causando confusão com sua irmã Ivone, que não aceita muito bem o pai e aparece depois de anos de abandono. Nessa temporada, a personagem de Adélia tem um desenvolvimento melhor e um arco maior. Também mostra mais o racismo que ocorria no início dos anos 60.

Toca no assunto sobre a dificuldade de sua filha Conceição na escola e o incomodo de Adélia quando sua filha começa a sofrer racismo em determinadas situações, que a faz pensar em algum tipo de saída.

Ivone é a irmã mais nova de Adélia e se torna uma das protagonistas principais da história. Ela trabalha como secretária, mas tem uma voz linda e sonha em ser cantora que acaba recebendo apoio de Malu. No decorrer da temporada, acaba conhecendo um amigo do Capitão, que é jogador de futebol e os dois se envolvem. Assim como a irmã, ela é uma mulher forte e decidida, que luta contra o racismo no meio artístico, no trabalho e na vida pessoal.

No início dessa segunda parte sobre a segunda temporada, comemorei que acrescentaram mais uma personagem negra como protagonista, mesmo Ivone aparecendo na primeira, mas é muito bom ver mais representatividade nessas séries, principalmente de época, porque, na maioria que eu já assisti, raramente um personagem negro tinha tanto destaque.

Lembram do esposo de Lígia? Foragido depois do que aconteceu, volta e ocorre o julgamento. Olha, esse julgamento, foi raiva atrás de raiva!

Só digo que a série finaliza essa temporada com um assassinato. Aí fica a questão: quem matou? Um gancho para uma terceira temporada. Gostei mais da primeira, prendeu mais. A segunda parece que fizeram as pressas, até o roteiro, às vezes… poderia ter mais diálogos, mais episódios. São muitos personagens com grandes potenciais para desenvolver e não dá em nada. Como o esposo da Malu, o problema de saúde que Adélia descobre, que não durou nem dois episódios. Se for renovado para uma terceira, eu espero que sim, que seja melhor e sem tanta pressa.

Recomendo. E acho que dei muito spoiler, desculpa. Mas é muito bom! A trilha sonora é maravilhosa, a fotografia, o figurino! As roupas são incríveis e os cenários são muito bem recriados para a época da série. Aborda temas que são importantes até hoje como o racismo, preconceito, o machismo, a luta das mulheres para ter igualdade, tanto no mercado de trabalho como na vida pessoal, sobre as várias possibilidades do amor e coisas relacionadas ao sexo… são vários temas importantes. Então, nem aprofundei assim contando sobre a série, imagina, nem me empolguei!

Relendo tudo, percebi que tem muito spoiler… desculpa se você ainda não assistiu, mas veja mesmo assim.

Espero que esteja se cuidando, até segunda que vem!

Angela Ataide

Angela Ataide é formanda em Relações Públicas. Fascinada por livros, séries, dramas e música. Colunista da Redação com dendê.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

%d bloggers like this: