Coluna “Na Tela”: Cinema no Brasil atual

O mundo parou, na verdade, foram os humanos, o mundo continua como sempre, girando e girando. Assim como o cinema, as produções de grandes orçamentos, em curso, deram uma pausa. As já concluídas tiveram que remarcar datas de lançamento, entretanto, a arte sempre se reinventa e não seria agora que ela não o faria. Medidas foram tomadas e adaptações realizadas pelas produções audiovisuais, e agora, produções como da gigante Marvel retornaram, Falcão e Soldado Invernal, Wandavision e Shang-chi são algumas delas.

Mas, e as produções brasileiras? O filme mais aclamado de 2019 pra cá, foi Bacurau estrelado pela Sonia Braga que inclusive está cotado para a cerimônia do Oscar de 2021. Ao longo do tempo o cinema nacional passou por altos e baixos, que o início dos anos 90 sejam esquecidos, e que é no exterior o maior sucesso de obras que trazem uma reflexão social do país, Central do Brasil (1998), Que Horas que Ela Volta? (2015). São dois exemplos bem evidentes de obras aclamadas lá fora, e que aqui só fez burburinho por conta de indicações a prêmios importantes no cinema mundial, como o Oscar e o festival de Cannes.

Foto: Divulgação

Isso é ótimo e ruim ao mesmo tempo, só damos valor a um produto nacional quando um olhar estrangeiro exalta ele? Reflitamos. Há exceção, como o Cidade de Deus que na época levou as salas escuras mais de 3 milhões de pessoas e também foi aclamado lá fora, foi um acontecimento paralelo, vai do olhar de cada um. Hoje em dia, por conta dessa pandemia cinema só em casa e as produções de baixo orçamento se deram bem, por que, com todo mundo em casa e sem nenhum filme blockbuster (arrasa quarteirão) em evidência, o olhar recai em produções pequenas. Isso sem falar nas produções que estão na plataforma Netflix, que tem um público mais variado.

No 48° festival de Gramado, que ocorreu de 18 a 26 de setembro desse ano, a galera pôde acompanhar pela televisão e pela internet a cerimônia de entrega e assistir os filmes que concorreram na amostra. Vários filmes independentes e curtas, entre produções brasileiras e estrangeiras, concorreram e ganharam o prêmio que prestigia o cinema nacional, fora do circuito popular.

Foto: Reprodução

Entretanto, não é só de filmes que se serve a sociedade, produções televisivas também é um forte que retratam inclusive, esse momento atual e em sua maioria são em formato de seriado, como Amor e Sorte estrelado pela Fernanda Torres e sua mãe Fernanda Montenegro, tem também Taís Araújo, Lazáro Ramos, Caio Blat e outros. Que retrata a dinâmica dos casais durante a quarentena.

Teve também, o Diário de Um Confinado do Bruno Mazzeo, onde pudemos acompanhar a adaptação de um homem que mora só, durante a pandemia. O lançamento dos documentários da cantora bainan Pitty, Matriz, como também o do cantor do rap Emicida, Amarelo. Ou seja, o audiovisual brasileiro em várias esferas se reinventa e não deixa seus espectadores na mão, isso sem falar nas várias lives dos artistas da música que desde do início da quarentena, nos distrai um pouco. Apoiar o audiovisual brasileiro é reforçar uma cultura tão forte e bonita quanto qualquer outra existente no mundo. Não é o principal, mas, ajuda na construção da nossa identidade, e angaria jovens cineastas que construam narrativas que se aproximem do público e atraiam cada vez mais o interesse das pessoas nas produções nacionais.

Viva a cultura, viva a arte, viva ao cinema brasileiro!!!

Pedro Nunes

Pedro Nunes é formado em Cinema, trabalhou como redator da web na TVE Bahia, e passa o seu tempo livre lendo livros e assistindo séries. Além de escrever para a coluna "Na Tela" do Redação com Dendê.

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